Hotelaria 2026: integração, automação e eficiência colocam o
retrofit tecnológico no centro das estratégias
Relatório internacional sobre as tendências tecnológicas da hotelaria mostra que integrar sistemas, automatizar processos e melhorar a gestão de recursos serão fatores cada vez mais importantes para a competitividade dos hotéis.
A transformação tecnológica da hotelaria está entrando em uma nova etapa. Depois de anos marcados pela adoção de diferentes plataformas e soluções digitais, o desafio agora parece ser outro: fazer com que tecnologias, sistemas, dados e infraestrutura trabalhem de forma integrada.
Essa é uma das principais mensagens do relatório Future Forecast: Hospitality Tech Predictions for 2026, publicado pela IDeaS, que analisa algumas das tendências que deverão influenciar a tecnologia aplicada à hotelaria.
O estudo parte de um cenário desafiador. Operadores e proprietários precisam simplificar operações, aumentar a rentabilidade e oferecer melhores experiências aos hóspedes, enquanto convivem com incertezas econômicas e um ambiente tecnológico em rápida transformação. Entre as tendências apontadas estão justamente a simplificação das estruturas tecnológicas, maior integração entre estratégias comerciais e crescente preocupação com resiliência e sustentabilidade.
Embora boa parte do relatório esteja direcionada às plataformas utilizadas na gestão hoteleira, suas conclusões trazem uma reflexão importante também para a infraestrutura tecnológica dos edifícios
Durante muitos anos, a modernização tecnológica de um hotel ocorreu de maneira relativamente fragmentada.
Um novo sistema de controle de acesso era implantado em determinado momento. Posteriormente surgiam soluções para climatização, iluminação, gestão de energia, conectividade, segurança, gestão de apartamentos e diversos outros recursos.
Individualmente, essas tecnologias poderiam cumprir adequadamente suas funções. O problema surge quando o empreendimento passa a conviver com uma coleção de sistemas independentes, com pouca ou nenhuma troca de informações entre eles.
O relatório identifica justamente a redução dessa fragmentação como uma das tendências importantes para os próximos anos. A simplificação é apresentada como um imperativo estratégico: reduzir sistemas desconectados, criar estratégias mais coesas e utilizar automação para liberar as equipes de tarefas que podem ser executadas de maneira mais eficiente pela tecnologia.
Os números apresentados reforçam essa percepção: 92% dos fornecedores de tecnologia pesquisados consideram a facilidade de integração crítica ou muito importante quando os hotéis avaliam novas soluções. Ao mesmo tempo, a falta de padronização entre plataformas aparece como a principal barreira apontada pelos fornecedores para a criação de ambientes tecnológicos realmente conectados.
Esse movimento tem relação direta com o conceito contemporâneo de edifício inteligente. Não basta instalar tecnologia. É necessário criar uma arquitetura capaz de integrar sistemas e transformar informações dispersas em dados úteis para a operação e para a tomada de decisões.
Outro destaque do estudo é o avanço da Inteligência Artificial e da automação.
Segundo os dados apresentados no relatório, 78% das redes hoteleiras já utilizam IA e 89% planejam novas aplicações. Entre as possibilidades estão comunicação automatizada, serviços móveis aos hóspedes, personalização, recomendações e ferramentas inteligentes para apoiar fluxos de trabalho e decisões.
No entanto, existe uma questão fundamental por trás dessa evolução: sistemas inteligentes precisam de dados confiáveis.
E muitos desses dados têm origem justamente na infraestrutura física do hotel.
Sensores de presença e ocupação, medidores de energia e água, sistemas de climatização, iluminação, controle de acesso, equipamentos das áreas técnicas e sistemas de automação predial podem produzir informações extremamente relevantes.
Assim, à medida que inteligência artificial e análise de dados avançam, aumenta também a importância de uma infraestrutura de automação e conectividade capaz de alimentar essas novas plataformas.
O relatório dedica uma de suas três grandes tendências à construção de uma hotelaria mais sustentável e preparada para o futuro.
A sustentabilidade está se tornando uma consideração central para os negócios, influenciada pelas expectativas de investidores e hóspedes e também pela evolução das regulamentações. Entre as áreas mencionadas estão consumo de energia e água, redução de resíduos, otimização de recursos e acompanhamento da pegada de carbono.
Aqui novamente existe uma relação direta com o retrofit tecnológico. É difícil gerenciar aquilo que não é medido.
Tecnologias de automação e gerenciamento predial podem permitir o acompanhamento do consumo, identificação de anomalias e desperdícios, programação de equipamentos e utilização dos recursos de acordo com ocupação e demanda.
Climatização e iluminação, por exemplo, não precisam necessariamente operar da mesma maneira em ambientes ocupados e desocupados. Bombas, reservatórios e outros sistemas hidráulicos também podem ser monitorados. Medidores inteligentes podem fornecer informações que antes dependiam de verificações manuais.
A sustentabilidade deixa, portanto, de ser apenas uma declaração institucional e passa a fazer parte da engenharia e da operação cotidiana do empreendimento.
Existe ainda outro desafio relevante: pessoas.
O relatório aponta que a estabilidade da força de trabalho está se tornando um dos pilares da resiliência operacional. Diante da persistência da escassez de profissionais, hotéis estão recorrendo à automação, capacitação e novas ferramentas para aumentar a produtividade das equipes.
Um dado chama especialmente a atenção: entre as áreas prioritárias de investimento relacionadas à resiliência da força de trabalho, 83% dos participantes indicaram a automação de tarefas rotineiras ou manuais.
Isso não significa simplesmente substituir pessoas por máquinas.
Significa utilizar melhor as equipes disponíveis, automatizando processos repetitivos, criando alarmes e exceções, disponibilizando informações remotamente e permitindo que profissionais se concentrem nas atividades que realmente exigem intervenção humana.
É justamente nesse contexto que o conceito de Retrofit Tecnológico de Hotéis ganha importância.
Em um empreendimento existente, dificilmente todas as tecnologias poderão ser substituídas simultaneamente. Há sistemas legados, restrições de orçamento, características construtivas e diferentes ciclos de vida dos equipamentos.
O desafio, portanto, é estabelecer uma estratégia de modernização progressiva.
Antes de simplesmente substituir equipamentos, é necessário avaliar o que existe, identificar gargalos, verificar possibilidades de integração e estabelecer prioridades de acordo com benefícios operacionais e econômicos.
Um projeto de retrofit pode envolver, entre outros aspectos, automação de apartamentos e áreas comuns, BMS e sistemas de gerenciamento de energia, climatização, iluminação, controle de acesso, conectividade, redes, monitoramento de água e energia e integração entre plataformas.
Mais importante do que a quantidade de tecnologias instaladas é sua capacidade de trabalhar de forma coordenada e produzir resultados mensuráveis.
Talvez esta seja uma das principais mudanças de paradigma.
Durante muito tempo, falar em automação hoteleira significava principalmente controlar equipamentos. Hoje, o objetivo precisa ser mais amplo: conectar operação, infraestrutura e informação.
O próprio relatório conclui que as empresas mais preparadas para o futuro serão aquelas capazes de combinar tecnologia inteligente, equipes integradas e práticas sustentáveis.
Para hotéis existentes, essa transformação dificilmente acontecerá de uma única vez. Ela deverá ocorrer por meio de projetos estruturados de modernização, nos quais cada investimento faça parte de uma visão tecnológica mais ampla.
É exatamente aí que o retrofit deixa de ser uma simples atualização de equipamentos e passa a representar uma estratégia de transformação digital do empreendimento.
O Programa de Retrofit Tecnológico de Hotéis busca apoiar empreendimentos hoteleiros na modernização planejada de sua infraestrutura, integrando soluções de automação, conectividade, eficiência energética, climatização, iluminação, segurança, controle de acesso e gestão de recursos.
A proposta parte de um princípio fundamental: retrofit tecnológico não deve significar apenas substituir equipamentos, mas identificar oportunidades, estabelecer prioridades e criar uma estratégia de modernização progressiva, capaz de gerar ganhos operacionais, econômicos e de sustentabilidade.
O Programa conecta hotéis, integradores especializados, fornecedores e parceiros tecnológicos, criando um ambiente colaborativo para desenvolver projetos adequados às características e necessidades de cada empreendimento.
Hotéis interessados em avaliar oportunidades de modernização, assim como integradores e fornecedores que desejem participar dessa iniciativa, podem conhecer o Programa
e entrar em contato para integrar este ecossistema.
Fonte utilizada neste artigo:
Future Forecast: Hospitality Tech Predictions for 2026, IDeaS. O relatório utiliza, entre suas referências, pesquisas realizadas com 39 empresas hoteleiras e 24 fornecedores de tecnologia para hotelaria, além de estudos da h2c e dados da STR.